É quarta-feira de Cinzas. No ano passado (2025), nesse momento, eu me dirigia ao Porto Mauá, para embarcar no navio Costa Favolosa para um cruzeiro Brasil – Ilha Grande, Balneário Santa Camboriú, Florianópolis – SC, Montevidéu – Uruguai e Buenos Aires – Argentina.
Esse ano (2026) encontro-me novamente no Rio, participei da Santa Missa na Igreja-matriz São Marcelino em um Condomínio na Barra – RJ. Terminaram os cortejos, os desfiles dos blocos e escolas, teve fim a folia de Momo. Iniciamos no dia (5) a Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas. O período quaresmal é um tempo riquíssimo para nossa vida de fé e experiência com Deus, que Ele mesmo em sua Palavra, nos convida a realizar. Tempo sim, em que mais fortemente apalpamos nossa triste condição de pecadores, mas dentro da infinitamente maior misericórdia Dele, “nosso Deus”.
Faço há alguns anos a quarentena da sobriedade, quando fico esse período sem consumir cerveja – nenhum tipo de álcool - opto pela sobriedade nesse tempo que pode se estender por 50, 60 dias ou mais. Mas, quais outros sacrifícios eu farei? Dedicar-me-ei à leitura e reflexão das Sagradas Escrituras e, outra penitência será diminuir o acesso às redes sociais.
O LIVRO DE JÓ, OS SALMOS, PROVÉRBIOS...
Devo iniciar por aí minha leitura penitencial. A oração de louvor, leva o homem a uma felicidade diante de Deus, enche o coração de alegria: “Louvar a Deus é gratuidade pura e significa entrar em uma grande alegria”. Nós sabemos rezar muito bem quando pedimos coisas, também quando agradecemos ao Senhor, mas a oração de louvor é um pouco mais difícil: não é tão habitual louvar a Deus.
E sentimos isso melhor quando fazemos memória das coisas que Ele fez na nossa vida: Nele - em Cristo – escolheu-nos antes da salvação do mundo, Bendito sejas, Senhor, porque nos escolheste!
Em uma entrevista de 2014, o Papa Francisco pediu aos fiéis, um esforço para que possam reencontrar a oração de louvor que leva a uma alegria, uma proximidade paterna, terna, e à felicidade diante do Senhor.
O ponto de partida, é justamente “fazer memória” desta escolha de Deus pelo homem, antes mesmo da criação do mundo, algo que, segundo o Papa, não se pode entender nem imaginar.
Francisco nos diz que a oração de louvor é oração de memória, recordando tudo o que Deus já fez pela humanidade e, por fim, oração ao Espírito Santo que dá a graça de entrar no mistério, sobretudo quando se celebra a Eucaristia.
Louvar a Deus é totalmente gratuito. Pensemos numa boa pergunta que hoje podemos fazer: como está a minha oração de louvor? Sei louvar ao Senhor? Ou quando rezo o Glória ou Sanctus, faço-o apenas com os lábios e não com todo o coração? Pouco vale louvar a Deus com os lábios se não o louvar com a vida. Por isso, Santo Agostinho dizia: “Canta com os lábios, canta com o coração canta com a vida”.
Rio de Janeiro 18-02-2026
Iniciei a leitura de Jó em 07/03/2026, dei sequência à leitura e reflexão dos Salmos e hoje, 17/03/2026 concluí. “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará” (Salmo 23) o mais conhecido e talvez o mais lido da Bíblia.
O Livro dos Salmos é um dos livros mais amados da Bíblia. Pessoas normalmente gostam muito dos Salmos e eles são lidos até por pessoas que não seguem a Cristo
Nos Salmos existem passagens muito profundas sobre a existência humana e outros temas que conectam os textos com o coração das pessoas. Eu já havia em outras ocasiões me proposto tal tarefa, mas não dei sequência. Digo, porém, que é maravilhoso, uma experiência única.
PARA MELHOR ENTENDER:
Os Salmos são uma coleção de 150 poemas, orações e cânticos hebraicos, originalmente chamados de Tehillim (louvores). Compilado após o exílio na Babilônia, foram escritos por vários autores, ao longo de séculos, com 73 atribuídos ao Rei Davi, além de Moisés, Salomão e os filhos de Corá.
Origem e Significado – Nome e Raiz: “Salmo” deriva do grego Psalmos, que significa uma canção acompanhada por instrumentos de corda (harpa/saltério).
Propósito: Eram usados no culto no templo de Jerusalém e na adoração pessoal, expressando emoções humanas – lamento, louvor e gratidão – a Deus.
Época: A maioria dos Salmos foi composta entre 1000 a.C. e 500 a.C.
Principais Autores e Organização – Autoria múltipla: Além de Davi (o doce salmista de Israel), destacam-se Asafe, os Filhos de Corá, Salomão, Moisés e Etã.
Organização: O livro é dividido em cinco partes ou cinco livros, que refletem os cinco livros de Torá.
Tipos de Salmos: Incluem louvor, lamento (clamor por socorro) ações de graças, sabedoria, reais (sobre o rei ungido) e confiança.
Importância – Unidade: Mesmo com vários autores, o livro foi organizado para contar a história de Israel e a esperança no Messias.
Oração de Jesus: Jesus e os primeiros cristãos usavam o Saltério, tornando-o “a Oração da Igreja”.
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