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02 – SÃO JOSÉ OPERÁRIO, DIA DO TRABALHO E A LUTA DO TRABALHADOR.

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Desde meados do século XIX, on Primeiro de Maio tornou-se Festa do Trabalho. Inicialmente teve um caráter contestatório: fazendo cessar o trabalho, os operários dos centros industriais demonstravam ao mundo burguês a dependência total em que deles se encontrava e prenunciava a revolução,

  Durante muito tempo o Primeiro de Maio foi um símbolo da luta de classes, caracterizado por manifestações, bandeira vermelhas e punhos cerrados no ar.

     Me lembro de alguns desses momentos em que o trabalhador amparado pelos seus direitos e estimulado pelo sindicato a que pertencia, ia em busca de seus direitos como melhoria salarial e redução da jornada de trabalho. Às vezes, era uma luta inglória. Mas assustava os empresários só que pensavam – ou ainda pensam? – no próprio lucro e escravizava o trabalhador ao extremo.

    Mesmo com a CLT, os “grandões” exerciam uma força, uma enorme pressão sobre o trabalhador que era oprimido, num regime de total dependência do patrão, uma quase escravidão. Era como se o empregador não precisasse do trabalhador, da mão de obra humana.

   Em São Paulo por exemplo, na região do ABC, onde o sindicalismo era forte, esse dia era de muita tensão. Porque o patrão nunca quer ceder, qualquer aumento que o sindicato pleiteava era motivo para ameaças de todo tipo, como punições ao trabalhador, ao sindicalista.

   Nos grandes centros é que a coisa ficava feia, porque o governo autorizava a Polícia a “descer o pau”, como se o trabalhador não tivesse nem o direito de reivindicar seus direitos, ainda que de forma pacífica.

    Em Volta Redonda, onde a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) empregava um contingente de trabalhador, houve muitas mortes em virtude de greves e paralizações dos funcionários por melhores condições de trabalho.

    Nunca participei de nenhum ato com esse viés. Até porque, morando e trabalhando no interior, as coisas não chegavam até nós com essa intensidade. Mas sempre acompanhei de perto, através de jornais escritos principalmente e posteriormente, pela TV que quase sempre mostrava esses enfrentamentos.

   No meu caso, foram 36 anos e 4 meses trabalhando numa única empresa: Os Correios e, desde que me foi proposto fazer parte do sindicato, me filiei, porque entendo que só através de um grupo organizado e coeso temos condições de negociar com a empresa.

    Com o passar do tempo, algumas coisas foram melhorando, muitas conquistas foram obtidas através de greves e com o advento dos sindicatos, uma maior aproximação, um maior envolvimento essas questões chegavam até nós com boletins informativos e para aqueles que se mantinham distantes, não havia mais como não se envolver.

   Na verdade, nunca fui indiferente à luta de classes, nunca estive alheio. O envolvimento direto não havia porque essas questões eram resolvidas à distância, pelo sindicato. Mas eu era sindicalizado e dava mensalmente minha contribuição.

    Para muitos jovens que não viveram esse período e que não se interessam em estudar sobre, digo que sempre houve essa luta do “nós contra eles”. Só que hoje, com as redes sociais elas se transformaram em ódio, perseguições, violência, desafetos, familiares que não se falam em virtude de ideologia política. Semearam o ódio, não é mais uma luta pelos direitos, já não há mais ideologia e sim mentiras que geram cada vez mais revolta e incendeiam as mentes tornando a convivência no campo político quase que impossível. Infelizmente não há mais lugar para o diálogo.

    Não posso deixar de acrescentar aqui, que há muita gente da minha geração ou com mais idade que eu, que nega tudo isso. Que parece não ter visto, nem vivido esse período. Negam que houve ditadura, perseguições, torturas. Mesmo quando seu grande líder – o mito que elegeram – grita em alto e bom som: “Pela memória do Cel. Brilhante Ulstra, o torturador de Dilma Roussef”, por ocasião do impeachment orquestrado por Eduardo Cunha que afastou Dilma da presidência.

   Disseram depois que não havia mesmo motivo para tanto. Confessaram que “pedaladas fiscais” é comum que todos fazem. Alegaram que ela era inocente e que não fazia sentido aquele circo, mas que era necessário para que a extrema direita chegasse ao poder. E ela chegou, entrou de sola e desgovernou o país por 4 anos.

    Mas há quem diga que foi excelente. Ainda que brasileiros, - irmãos nossos – famintos, corressem atrás de caminhão de ossos; para esses, foram 4 anos de progresso.

   Um progresso que não é visto a olho nu. Quando se indaga desses “lunáticos” sobre um projeto, uma obra de seu “mito”, silenciam. O próprio capitão Soluço, o presidiário, quando a ele se faz tal pergunta, ele responde de prontidão que baixou imposto para quem tem jet-ski.

    Me estendi muito nessa análise, mas voltemos ao tema: A data do Primeiro de Maio firmou-se como celebração do trabalho e das conquistas sociais, econômicas e sindicais da classe operária. Apesar de aceita universalmente e ter perdido muito de seu caráter ideológico, tal festividade continua alheia, senão hostil ao espírito cristão.

    Em 1955 o papa Pio XII resolveu cristianizar a celebração do trabalho mediante a instituição do Dia de São José Operário. Em seu discurso, ante a manifestação de duzentos mil operários reunidos na praça de São Pedro, Pio XII disse:

   “Aqui, neste Primeiro de Maio, que o mundo do trabalho se adjudicou como festa própria, queremos afirmar de novo solenemente este dever e compromisso com a intenção de que todos reconheçam a grandeza e a dignidade do trabalho e que ela inspire a vida social e as leis fundadas sobre a equitativa repartição de direitos e deveres.

Tomado neste sentido pelos operários cristãos, recebendo assim sua consagração cristã, em vez de ser fomento de discórdia, de ódio e de violência, o Primeiro de Maio é e será um convite constante à sociedade moderna a contemplar o que ainda falta à paz social.

    Sendo assim, a festa de São José, patrono da Igreja universal, prescrita por Pio IX em 1847, foi substituída por Pio XII em 1955 pela memória litúrgica facultativa de São José Operário.

   “o espírito cristão do trabalho, a Igreja o vê como mais bem realizado no modelo de São José, artesão junto com Cristo (Filho do carpinteiro). Como uma catequese sobre o significado do trabalho humano à luz da fé, na memória de São José Operário – um trabalhador honesto e fiel à Palavra de Deus – se reconhece a dignidade do trabalho humano, como dever e aperfeiçoamento do homem, exercício benéfico de seu domínio sobre o mundo criado, serviço à comunidade, prolongamento da obra do Criador e como contribuição ao plano da salvação. Fernando Mauro Ribeiro.

 

 

 

 

 

 

 
 
 

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