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10 - A COMUNIDADE DA CASA DE TÁBUAS

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Quando se fala de Casa de Tábuas, de imediato vêm à mente a figura do sr. Ulisses Ribeiro e sra. Francisca – tio Ulisses e tia Tatica – a tradicional venda, balcão, vendedores e compradores, caixeiro e fregueses - o campo de futebol do Divisa F. C., e as memoráveis tardes de domingo com os tantos clássicos do futebol regional disputados ali, a Escola, as tantas professoras que ali semearam a semente do ler e escrever, as operações aritméticas – sim, àquela época não se dizia matemática – a geografia falando rios, riachos e ribeirões, relevos, vales e montanhas e esclarecendo aos alunos que aquela vila pertencia ao município de Patrocínio do Muriaé, que tem as comunidades irmãs da Santa Rosa, Anastácia, Pitanga, União, Reduto, Sapeca, Boqueirão e que se convergiam para lá, por ocasião de suas festas.

  Há algumas décadas atrás, não havia o devido cuidado com a estrada, a viagem era longa, os 18Km, pareciam muito mais e a promissora comunidade era parada obrigatória dos ônibus da empresa N. S. Aparecida que faziam o percurso Cachoeira Alegre a Muriaé, para algum passageiro usar o sanitário, tomar água, um guaraná ou uma aguardente na venda do seu Ulisses.

   Me lembro quando chegou àquele local a energia elétrica da Cia. Força e Luz Cataguases Leopoldina. A festa de inauguração foi um sucesso retumbante, como dizia-se na época, como também da construção da Escola com duas salas de aula.

Voltando então à escola, a professora Sueli explicava aos seus alunos que aquele local que se convencionou chamarem-no de DIVISA, era a metade do caminho e não se trata de divisa de municípios; que se chamava também Casa de Tábuas, em virtude de um enorme casarão, com extenso varandão frontal, de propriedade do senhor Juquinha Soares, situado à margem da via e, que tem como coirmãs as comunidades de Santa Rosa, Anastácia e Pitanga, União, Reduto, Sapeca, Boqueirão que se convergiam para lá, para adquirir algum produto no comercio e por ocasião de suas festas.

  

UM CRUZEIRO, UM CASARÃO, UMA ESCOLA, UMA VENDA E UM CAMPO DE FUTEBOL

Como vimos até então, com boas perspectivas de crescimento, esta era a esperançosa comunidade da Casa de Tábuas. Um grupo de família que partilhava interesses, costumes e objetivos comuns e que formara naquele local uma promissora comunidade.

  Imaginava-se que os proprietários daquelas terras traçassem ruas ou vendessem lotes à margem da via, favorecendo a construção de residências, propiciando às pessoas permanecerem no campo, cuidando da terra.    

Também essa gente, esse povo sofrera o que outros sofreriam algum tempo depois: o êxodo rural. A auspiciosa comunidade assistiu os colonos deixarem as fazendas e se mudarem para a área urbana. Com o passar do tempo, a escola deixou de funcionar, pois não havia alunos, o comércio já não atendia satisfatoriamente àqueles poucos que ali ficaram, as pessoas já não se reuniam mais para rezar no antigo Cruzeiro que era cuidado por tia Tatica e há quem diga que o     golpe de misericórdia” foi o fechamento do campo de futebol, fazendo com que o Divisa Futebol Clube encerrasse suas atividades e impedindo que aos finais de semana dezenas de pessoas – vindo da área urbana - se reunissem ali para o lazer, movimentando o comércio de bar e promovendo o intercâmbio entre as comunidades da região.

  

UM MARCO, A CAPELA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO

   A verdade é que o desafio da vida está sendo cada vez mais difícil. Deixando seu antigo habitat o homem perde o vínculo com sua gente, rompe os laços com a terra e fragilizado e desprotegido vai à procura de um teto e um trabalho na área urbana.

    Concepções opostas confrontam-se sobre o tema. Mas o que se conclui com isso é que Deus é a nossa força. Foi o próprio Jesus quem disse: “Na vida encontrareis dificuldades, mas coragem, eu venci o mundo”!

Vencendo todos os obstáculos, quando já não há uma aglomeração de pessoas, quando quase todos se foram, quando a vila está decadente, quando aparentemente todos silenciam-se; há alguém que faz o caminho de volta. E a proposta é a seguinte: Vamos construir aqui uma capela. As primeiras reuniões tiveram início em um salão da antiga venda do sr. Ulisses e a partir daí, contornando todos os obstáculos construíram a singela capela e a consagraram a São José.

  Hoje, a edificação se destaca na paisagem. Ao transitar pela via, em um plano mais elevado, destaca-se a torre que abriga a imagem de São José que ali está a abençoar a todos que trafegam por ali. É costume, ao passar diante da pequenina capela, o caminhante tirar o chapéu, estando ao volante o motorista faz reverência, alguns fazem a genuflexão ao adentrar aquela casa. No contexto religioso são gestos profundos de adoração e que indicam respeito, reverência ao sagrado. 

 

A HISTÓRIA DA CONSTRUÇÃO DA CAPELA

 Da vila, décadas depois, surgiria um filho da terra que se tornara vereador e presidente da Câmara Legislativa de Patrocínio do Muriaé. Com vasta experiência na área da comunicação Eurico Mário Ribeiro, então vereador fundou o Jornal de Muriaé e fora editor do informativo. Com sua liderança, mais adiante, foi o responsável pelo nascimento da Vila Ulisses, que recebera calçamento em paralelepípedos e iluminação pública na Energisa, possibilitando a construção de casas ao longo da via até ao limite dos municípios de Patrocínio com Barão, com o objetivo de atenuar o êxodo rural, contribuindo para a fixação do homem no campo.

Fernando Mauro Ribeiro

 
 
 

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