Era noite de domingo - 15 de fevereiro de 2026 – era grande minha expectativa para assistir ao desfile das Escolas de Samba na Marquês de Sapucaí – no Rio. Diante da TV, a condicionado ligado para amenizar o calor dessa cidade que tem altas temperaturas, mas que para mim, naquele momento estava lá nas alturas, apesar do ar que tem a função de atenuar e da cerveja gelada que consumia torcendo para que através dela, eu me beneficiasse além do sabor, um possível refrigério.
A TV Globo em sua arrogância iniciou a apresentação gastando longos minutos de seu precioso tempo, - imagine o que isso representa em cifras - lendo notas jurídicas que os partidos políticos encaminharam à Justiça, na tentativa de impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói.
* A emissora atrasou a mostrar o início do desfile, focando em comentários no estúdio, enquanto a escola já estava na avenida.
*Corte na Comissão de frente, evitando mostrar alegorias que traziam críticas políticas, preferindo imagens panorâmicas.
*O som do samba-enredo estava em volume baixo durante a transmissão.
*O desfile foi alvo de tentativa de interdição na Justiça, sob alegação de propaganda eleitoral antecipada.
Os críticos esquecem ou fingem que, em 2022, Bolsonaro esteve em campanha, na Festa em Barretos, três meses antes da eleição.
Mas escola de samba homenagear o Lula oito meses antes da eleição é propaganda eleitoral, né!
A agremiação de Niterói entrou na avenida abrindo o desfile sob muitos aplausos das arquibancadas, contrariando o que a grande mídia – leia-se Rede Globo – dizia, de que a escola desfilaria sob vaias, que o Presidente Luiz Inácio da Silva não deveria ir ao sambódromo para não ser também vaiado pelo grande público,quando o presidente assistiu do camarote, ao lado de Janja e amigos o desfile e depois foi cumprimentar os membros da escola, e fora aplaudido. Não é sobre conquistar a simpatia dos jurados, mas conquistar o coração da maioria dos brasileiros que canta o samba enredo e levou ao sambódromo o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que a meu ver, - independentemente de paixão política – considero um samba bem elaborado, bem constituído, partindo do princípio que é Dona Lindú, a mãe de Lula quem conta a história.
A escola propõe uma narrativa cronológica e simbólica da trajetória do chefe do Executivo. O desfile retrata desde a infância humilde de Lula no Nordeste, marcada pela migração e pelo trabalho precoce, até sua ascensão como líder sindical, figura política nacional e presidente da República.
Pelo que vi, - não assisto mais aos desfiles – não consigo mais virar a noite diante da TV, como em outros tempos, quando adquiria os elepês – discos de vinil – contendo os sambas das escolas, aprendia e cantava-os todos.
Mas, vendo flashes no RJ TV da emissora do Plim, plim, e o compacto destacando o desfile das 12 escolas do grupo especial; o desfile pouco mostrou da vida pessoal e pública do presidente, abordando temas como origem operária, luta social, esperança, resistência e transformação, elementos que dialogam diretamente com a história de grande parte da população brasileira, como era a proposta da agremiação.
É compreensível que a escolha do enredo promete gerar – já está gerando – repercussão dentro e fora da avenida, já que une carnaval, política e cultura popular, reforçando o papel das escolas de samba como espaços de narrativa histórica e reflexão social.
Escrevo essa matéria, na parte da manhã, antes da apuração dos votos que ocorre na parte da tarde e que indicará a campeã do Carnaval Carioca de 2026 e, que pretendo assistir.
Mas independente do resultado, sou do tipo que aplaude a a escola que, com dignidade, conta a história de cada homenageado. Assim, gostei de ver Nei Matogrosso,Rita Lee, Mestre Ciça, o sr. Moacir (Viradouro); Heitor dos Prazeres (multifacetado artista brasileiro: sambista, compositor, pintor, figurinista e um dos fundadores da Portela e Mangueira); Carolina Maria de Jesus (escritora); Rosinha Magalhães (carnavalesca)e outros serem lembrados na Marquês de Sapucaí, nesse Carnaval de 2026.
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