As perdas ferem e chorá-las é necessário. Sem dúvida, a perda de alguém querido é uma das maiores dores que o ser humano pode sentir. Para ela, nunca estamos preparados.
No caso da morte, superar a perda não significa esquecer aqueles que amamos e já partiram, pois, o amor não termina com a interrupção com a vida biológica. O amor é redirecionado. Por isso, não devemos nos fechar na dor, mas focar nas pessoas que estão ao nosso lado e precisam de nós, e tentar ressignificar o sofrimento.
Parece estranho que eu me dirija dessa forma, a vós todos que me enviaram felicitações de aniversário. Mas a dor e o riso moram muito perto. Creio que a AMIZADE foi o maior presente que a vida me deu. Nessa data 27-01, quase sempre me refugio em algum canto, me torno refém de mim mesmo. É verdade que nem sempre consigo. É o que hoje aconteceu.
Nem ensaiei uma fuga. Então, navegando nesse mar de informação – às vezes, desinformação – que são as redes sociais me surpreendi com as dezenas de mensagens de carinho, afeto, numa demonstração inequívoca de bem querer. Surpreso, assustado mesmo, com o volume delas e as doces palavras caem como um bálsamo, principalmente, quando se tem um coração ferido.
Daí, esse navegar numa Cachoeira triste dos últimos dias, levou meu barco a um mar de emoção. Então minha alegria desceu rio a baixo e se entregou ao oceano com o coração em festa, numa demonstração de gratidão. Meu barco não ficou esquecido na praia, ele ancorou no porto da minha memória onde estará arquivado todos os recadinhos.
Surpreso sim, muito surpreso, repito, mas extremamente agradecido a todos pelo singelo gesto da lembrança, da atenção.
Gosto desse pensamento de Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.
No passado estão as bases, as raízes, as lições. No horizonte do amanhã está plantada a bandeira da esperança. E é com essa esperança que é o fundamento de nossa fé, que vou caminhando.