O ano está apenas começando. Diante de nós está mais um ano. Mas quais são os estímulos que impulsionam a humanidade]. Música, cinema e arte são dominados pelo tema do amor. O amor romântico, físico e livre é enaltecido e ilustrado de muitas formas como a força motriz mais potente.
Por outro lado, o cristianismo, de acordo com Friedrich Nietzsche, deu a “Eros” veneno para beber. É verdade, diz ele, que Eros não morreu por isso, mas transformou-se em vício. Esse é também o sentimento difundido na sociedade atual: que a Igreja seria hostil ao corpo e ao sexo. Diz-se que o celibato leva à neurose, que o celibato é perverso e hipócrita e deveria ser abolido.
A compreensão cristã sobre o amor e a moral sexual da Igreja representa para o mundo uma provocação. No entanto, entre os primeiros cristãos, os aspectos que impressionavam os pagãos e os motivaram à conversão foram sobretudo o amor fraterno e a pureza moral. Esse modo de vida dos cristãos (celibato e virgindade) representava algo de “extraordinário e inacreditável” para eles, coisas que antes, consideravam impossível.
A “lógica” do celibato está voltada para Deus, que é Amor e se revela como verdadeiro Amor. É um amor que se entrega de forma definitiva e total, sempre presente. Quem não acredita nesse amor, tem dificuldades para entender o celibato e também o casamento. Karl Rahner já afirmava em 1968: “A atual crise do celibato tem grande número de razões” (...) Mas se não quisermos nos iludir a nós mesmos, temos de admitir que a razão mais profunda dessa crise está na carência da fé.
Nós vivemos num tempo que só a muito custo o homem consegue compreender a realidade de Deus e a vida eterna. Vivemos em uma época que é caracterizada por chavões como desmistificações e dessacralização, bem como pela tendência de reduzir todo a cristianismo a uma mera condição de relacionamentos interpessoais.
A Igreja também é sinônimo de serviço da caridade, mas esta é sempre acompanhada pelo testemunho dos mártires, bem como pelo “martírio branco” do celibato. O celibato é um sinal de que o sacerdote não é chamado simplesmente para uma tarefa, uma função, mas antes de tudo, parra um seguimento pessoal, especial de Cristo. Sua doação pessoal, o “sacrifício” de si mesmo para Deus, o verdadeiro amor que move e que aperfeiçoa tudo – é isso que o celibato significa.
Caros amigos, que a nossa primeira e mais profunda motivação esteja sempre no amor, puro e verdadeiro amor.
Pe. Martin M. Barta – Assistente Eclesiástico Internacional – Jornal Eco do Amor