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25 DE JANEIRO: DIA DE SÃO PAULO – PARA MIM, VIVER É CRISTO

  • 25 de jan.
  • 3 min de leitura

Hoje é aniversário da cidade de São Paulo, que à sua maneira, comemora mais um aniversário. Não com a grandiosidade dos anos anteriores. Isso, por conta da pandemia, mas tem festa, sim na cidade. Em Muriaé, onde ele é o nosso padroeiro, a festa é realizada no dia 29 de junho, quando a Igreja celebra a morte de Paulo. Ao passo que a Igreja celebra hoje, 25 de janeiro, a conversão do apóstolo São Paulo.

         Se tivesse que escolher um momento na vida de Paulo – eles são tantos e tão marcantes – que melhor traduz seus ideais, eu me voltaria para o dia em que o rei Agripa, que governava parte da Palestina, foi com sua irmã Berenice a Cesareia (62 d.C). Ali, os dois ouviram a curiosa história de um prisioneiro – Paulo-, que pregava uma religião diferente das então conhecidas. Fora preso, não porque havia cometido algum crime, mas porque falava de um certo Jesus de Nazaré que, embora já tivesse morrido, ele afirmava e garantia que continuava vivo (Atos 25, 13-19).

          A vida deste apóstolo foi o anúncio destemido de Jesus Cristo, que tendo morrido como criminoso, ressuscitou de maneira gloriosa e está vivo. “Eu sou judeu, de Tarso, da Cicília, cidadão de uma cidade insigne” (Atos 21.39). A cidade de Tarso era um grande ponto comercial e cultural, com 300 mil habitantes. O pai de Paulo havia merecido o título de cidadão romano, o que garantiria ao filho, um dia, ser julgado por César, em Roma.

       O apóstolo começou os estudos em Jerusalém, aos 14 anos. Foi discípulo de Gamaliel, um grande mestre da época que lhe ensinou as tradições do mundo judaico. Como bom fariseu, assumiu uma profissão: fabricava tendas de peles de cabra e de camelo. Mais tarde, teria os dedos tão duros que não podia escrever e por isso ditava as cartas que enviava às comunidades por ele fundadas.

         Terrível perseguidor dos cristãos, aplaudiu o martírio de Estêvão. Pelo ano 36, ao se dirigir a Damasco, para perseguir os cristãos, um fato transformou a sua vida: “Ia eu a Damasco com plenos poderes... no caminho, pelo meio dia, vi, vinda do céu e mais brilhante que o sol, uma luz resplandecente ao redor de mim e daqueles que me acompanhavam. Caímos todos por terra e ouvi uma voz que me dizia, em língua hebraica: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues]. E eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor]. O Senhor então disse: ‘Eu sou Jesus, a quem persegues” (Atos 26. 12-15). A partir daí, Paulo se transformou e nunca mais se esqueceu que Jesus se identifica com os seus seguidores.

         Depois de uma temporada no deserto, ele se encontrou com Pedro, em Jerusalém e começou a evangelizar. Viagens cansativas, açoites, prisões, perigos de morte – por tudo isso ele passou, sempre com verdadeira obsessão: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor. 9.16).

         Há os que julgam ser Paulo um autor difícil; realmente, suas cartas não são fáceis de compreender. É preciso levar em conta que além de ter vivido em um ambiente diferente do nosso, ele se dirigiu a um público com outra mentalidade. Penetrar em suas ideias, contudo, é uma bela e fascinante experiência.

         Das cartas que escreveu, treze foram conservadas pelas comunidades e faze parte do Novo Testamento. Elas apresentam o plano de Deus sobre o mundo: desde toda a eternidade, Deus decidiu a criação e salvação de todos os seres humanos; o homem se tornou escravo do pecado, mas Cristo veio para regatar nossa dívida, morrendo por nós; somos salvos em Cristo Jesus”. Apesar disso, continua dentro de nós, uma luta entre duas tendências opostas: os apetites da “carne” e os apelos do Espírito. A perfeição é a caridade.

         Em nosso tempo, em uma reunião de jovens, uma pergunta foi feita: “O que você espera da vida”]. As respostas podem ser resumidas em três palavras: sucesso, dinheiro e conforto. O ideal que animou a vida do apóstolo Paulo era bem diferente: “Para mim, o viver é Cristo (Fl. 1,21). “Por causa dele perdi tudo e considero tudo como um lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele... Continuo correndo para alcançá-lo, visto que eu mesmo fui alcançado pelo Cristo Jesus” (Fl. 3,8 e 12). Com Cristo eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas sou eu: é Cristo que vive em mim” (Gl. 2, 19-20). Talvez fosse oportuno colocarmos em nossas comunidades uma grande placa com a inscrição: Precisa-se, com urgência, de novos apóstolos Paulo”!

Dom Murilo Krieger – Arcebispo de Salvador

 
 
 

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