29 - CELEBRAMOS O NATAL: NA GRUTA DE BELÉM, CÉU E TERRA SE TOCAM
Fernando Mauro Ribeiro
29 de dez. de 2025
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Não olhemos o Natal como uma historinha que nos emociona num romantismo vazio, mas como um lembrete anual de que “Deus se humanizou”, valorizando em cada um de nós a nossa própria humanidade. O Natal nos ensina a sermos mais humanos, a romper as barreiras do egoísmo e pautar o nosso agir no amor. Não existe outra festa no mundo que se pode congregar a todos nós à solidariedade, à reunião familiar, ao perdão e à paz.
Com o olhar voltado para o presépio, celebramos o Natal. Padre Márcio, nosso pároco, que depois de dois anos e quatro meses, está se despedindo da Paróquia de São Sebastião para exercer seu ministério na cidade de Recreio, celebrou Missa solene na Matriz São Sebastião, em Cachoeira Alegre.
“Quando cheguei na Padiola – poderia ter dito também Porteira do Alto, que é o mesmo local – numa demonstração de quem conhece e assimilou de fato, Cachoeira Alegre, ou seja: no entroncamento das ruas Pe. Raimundo Nonato, Vereador José Maria Rocha, José Egídio de Matos, J.J. Paula Alves, avenida Antônio Fani e acesso aos bairros Bela Vista e São Martinho...
Como eu ia dizendo: “Quando cheguei no Alto da Padiola, percebi a fumaça subir nos quintais e áreas de lazer, de Cachoeira. Cachoeira Alegre está enfumaçada com os churrascos, com as festas de fundo de quintal, nos bares e ruas”, disse o padre.
Infelizmente, não vejo o mesmo interesse do povo em relação à celebração da Santa Missa. Não que a Igreja-matriz esteja vazia, não é isso. Mas em outros tempos, a antiga matriz não comportava o número de fiéis nessa e em outras datas. O mundo está secularizado. Mas entendo que, aqueles que lá estiveram, o fizeram para celebrar realmente o nascimento de Jesus. Porque o Natal é uma festa que se renova todos os anos, adquire um novo aspecto, porque nós mudamos e a cada ano estamos diferentes. Porém, o que nunca muda é o apelo a que somos chamados: contemplar o mistério da encarnação do Filho de Deus em nossa humanidade.
Deus é fiel à sua promessa e nos dá seu Filho, nascido da gruta de Belém, cumprindo o que foi predito pelos profetas: “O próprio Senhor vos dará um sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamará Deus Conosco”. (Isaias 7,14); “Um menino nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is 9,6) e ainda, “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel” (Mq 2,11).
É a festa da manifestação na carne, isto é, Jesus é o Verbo, a Palavra de Deus. E o Verbo se fez carne, se fez um de nós e fez morada em nosso meio. Na gruta de Belém, céu e terra se tocam. O céu veio à terra. Todo o universo é atingido pelo mistério da Encarnação. Jesus entrou na história, recriando todas as coisas. Na noite santa, a esperança é renovada e um mundo de paz, justiça, amor e fraternidade tornou-se possível.
No Natal todos querem esquecer as mágoas, aqueles que estão afastados buscam se aproximar. É a oportunidade de procurarmos o que temos de melhor dentro de nós. Contemplar Jesus, que se fez pobre, como uma frágil criança deitada numa manjedoura, nos sugere a possibilidade de renovar, de refazer, de mudar o que não está bom e recomeçar do jeito certo, unindo a Ele nossa condição humana.
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