21 - FICARAM AS LEMBRANÇAS DA CASA CHEIA, DOS SONHOS E TESOUROS LÁ GUARDADOS
há 5 dias
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Existe uma fórmula para uma família feliz?. Qual é a receita da felicidade familiar?. Ela existe apenas no comercial de margarina, nas fotos de revistas, nos filmes e anúncios de publicidade? Na família há momentos de crises, conflitos e discordância de opiniões. O que faz toda diferença é a forma como os familiares agem e reagem diante dessas situações. A felicidade é uma conquista, não vem pronta!
A felicidade familiar é uma batalha diária na escolha de praticar as virtudes, na busca do que é bom, belo e verdadeiro. Como são importantes a sobriedade e a maturidade emocional neste caminho de construir as relações familiares! Na casa de meus pais, aqui em Cachoeira Alegre, vivemos entre risos, os cumprimentos abraços e beijos – toda hora chega mais um, que é convidado a almoçar, a sentar-se à mesa conosco - convívio diário e longos almoços dominicais.
Num dia a casa está cheia, no outro, os filhos já se retiraram, dando rumo à própria vida. Não é diferente da rotina de outras casas, eu creio. Há algum tempo atrás, os filhos saíam para estudar fora e trabalhar. Depois se casam, mudam-se da casa dos pais... A rotina do lar, que antes envolvia toda a família, volta-se apenas para o casal, que terá que se adaptar à ausência diária dos filhos. Em muitos casos, sem saber lidar com a situação, os pais sofrem ao experimentarem a solidão, a saudade; é quando desenvolvem a síndrome do ninho vazio, como dizem os entendidos.
Essa síndrome é uma condição psicológica e, por isso, pode acarretar sintomas como crises de depressão e ansiedade. Além disso, medo, raiva e culpa são emoções que igualmente estão ligadas à saída dos filhos de casa. Há psicólogo que diz, que também pode haver desentendimentos entre pais e filhos. “É possível existir brigas e discussões. ‘Conversas’ sobre limites e maturidade também são constantes. Esta síndrome ocorre quando o casal (marido e mulher) não tem uma estrutura bem formada e acabam se apegando demais aos filhos e seus papéis de pais (pai e mãe), explica o psicólogo.
A síndrome do ninho vazio pode também afetar os filhos. Esse é um pensamento meu, mesmo porque experimentei isso. À medida que ia saindo um a um, era tomado por uma tristeza incomum, não sei se por culpa ou por ligação emocional muitas vezes me senti culpado diante de minha passividade; quando na verdade, eu nada tinha a oferecer, eu nada poderia fazer em razão da tentativa de independência de cada um; que é um direito de todos, alçar voos, buscar novos ares, sonhar com novos horizontes.
Para superar a crise do ninho vazio é necessário que os pais percebam que os filhos cresceram e são adultos. “É importante aprender a lidar com a perspectiva de que ele irá crescer. Ser pai de filho pequeno é diferente de ser pai de filho adulto. Uma revisão da identidade e de limites no papel parental é necessária”, me dizia ou me aconselhava o psicólogo, para que a saída dos filhos de casa seja vista com alegria e não medo – já que o filho cresceu e já é até adulto. Os casais devem se lembrar que antes de serem pais, são marido e mulher, concluiu o profissional da psicologia.
Como pai, talvez, eu venha a passar por tudo isso, - Thiago ainda morava comigo - imagina você, que experimentava um pouco dessa situação quando ele viajava a trabalho! Mas, posso afirmar categoricamente, que como irmão, sofri à cada ausência de cada um, sentia-me excessivamente preocupado com o que viria pela frente, sentia medo... Esse psicólogo com quem conversei muitos anos depois, pode ter me ajudado, mas, que foi uma barra viver tudo isso, ah, foi!
Eu dizia no início: “num dia a casa cheia, no outro, vazia”. É o que está acontece ainda hoje. Com a morte de meus pais e Zé Luiz, - meu irmão mais velho - o ninho está vazio. As aves que acolhiam seus filhotes se foram e não retornarão mais. A casa, o ninho que nos abrigava a todos, está vazio, num silêncio quase sepulcral.
Tudo lá permanece intacto, ficaram as lembranças da casa cheia, do burburinho à mesa de refeição. Na tevê silenciosa já não ouço as orações e nem vejo as celebrações da Canção Nova. Também cessaram os chamados de: Dona Zuleica! Ô Dona Zuleica! A venda ainda tem suas portas cerradas: o seu Joaquim e nem mais o seu filho Zé Luiz, atenderão seus fregueses, serão lembrados sim, ali, nas conversas do balcão. Só lembranças, de uma casa onde sonhos eu vivi, onde guardei tesouros que não vou esquecer e, que olho com olhar de ternura, mas, meu amigo; vou te contar: “Tem hora que bate uma tristeza tão grande, que eu não sei o que fazer e nem para onde ir. Há tanta coisa que eu queria dizer-lhes, mas nãos os tenho mais para me ouvir! E eu choro”...
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