22 - RESGATE DO MINEIRO PAU, NO CARNAVAL EM CACHOEIRA
22 de fev.
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Estou ainda no Rio de Janeiro e aqui o carnaval se estende com os blocos que continuarão saindo às ruas, independentemente se é ou não o período quaresmal. O tradicional Monobloco levará às ruas do centro do Rio milhares de foliões, no sábado há o desfile das campeãs no sambódromo.
Esse comportamento não se vê só no Rio, em grande parte do Brasil a Folia de Momo segue quaresma a dentro. Em Salvador, Carlinhos Brhaw de cima de um trio elétrico comanda a festa, em Pernambuco, o tradicional bloco “Galo da Madrugada”, arrasta uma multidão, na manhã de quarta feira de Cinzas e assim, em outros estados brasileiros.
Mas, quero destacar o Carnaval 2026 em Cachoeira. Em minha terra, a festa se encerra mesmo na terça feira e, na quarta feira de Cinzas inicia-se o período da Quaresma. Pode-se dizer que form 3 dias de folia. Não houve apresentação do Mineiro Pau em todos eles, mas pequenos grupos de fantasiavam e saiam, passavam pelos bares em direção ao quiosque do Flecha, onde se concentravam para curtir a festa.
O grupo folclórico do Mineiro Pau, comandado pelo jovem Carlos Felipe – o Cretinho – e seus auxiliares, tomaram emprestados os instrumentos da bateria que, a Viviane do Vaguinho gentilmente lhes confoa por ocasiões desse eventos. Então, eles formaram um grupo, ensaiaram a garotada, com a bateria na retaguarda e a sincronia dos jovens e adolescentes no “bate pau”, como dizem alguns e desfilaram pelas ruas levando alegria e resgatando parte da beleza do folclore brasileiro, com a belíssima apresentação do grupo.
CURIOSIDADES SOBRE A DANÇA
A música folclórica é a expressão musical tradicional e popular de um povo, transmitida oralmente entre gerações, sem autor conhecido ou com autoria esquecida. Ela reflete a identidade cultural de uma comunidade, sendo frequentemente rústica, anônima e funcional, usada para acompanhar danças, festas ou atividades laborais.
Algumas das músicas tradicionais associadas à dança folclórica mineira "Mineiro Pau" (muito comum em Cachoeira Alegre – MG.) são cantadas em ritmo de desafio, frequentemente acompanhadas por bastões de madeira e algum instrumento – sanfona, instrumentos de sopro – e os tambores que vão ritmando.
Aqui está um trecho de um dos versos tradicionais do "Mineiro Pau", Malhação de Judas e às vezes, em algum bloco carnavalesco, em Cachoeira Alegre:
NÃO FAZ ASSIM NÃO, TEREZA!
Tô na porta da minha casa:
(Não faz assim não, Tereza)
Foi quando ela passou:
(Não faz assim não, Tereza)
O zóio pra mim piscou;
(Não faz assim não, Tereza)
Vai lá em casa seu doutô;
(Não faz assim não, Tereza)
Pode entrar que a casa é sua;
(Não faz assim não, Tereza)
Entra na porta da rua;
(Não faz assim não, Tereza)
Vai chegando de mansinho;
(Não faz assim não, Tereza)
Pisa bem devagarinho;
(Não faz assim não, Tereza)
O assoalho é perigoso;
(Não faz assim não, Tereza)
Não arrepara meu sinhô;
(Não faz assim não, Tereza)
O quê que eu vim fazer aqui?
(Não faz assim não, Tereza)
Meu marido já vortou;
(Não faz assim não, Tereza)
E o remédio já comprô;
(Não faz assim não, Tereza)
Ali que tá meu menino;
(Não faz assim não, Tereza)
E qual é a sua dor?
(Não faz assim não, Tereza)
Vou te falar a verdade;
(Não faz assim não, Tereza)
Fale com sinceridade;
(Não faz assim não, Tereza)
O meu fio amelhorô;
(Não faz assim não, Tereza)
Pode perguntar pro Zé;
(Não faz assim não, Tereza)
Fala comigo a verdade;
(Não faz assim não, Tereza)
Com o remédio que eu dei ele;
(Não faz assim não, Tereza)
O menino já sarô!
(Não faz assim não, Tereza)
Observação: ouvia, as pessoas cantarem: “Não faz assim não, Tereza”! E tudo ou qualquer frase que se dissesse, (coisas, mesmo sem nexo) a resposta era sempre a mesma. Certa vez, numa mesa de cantoria, iniciaram a brincadeira e decidi participar, quando me dei conta, era só eu a cantar e todos respondiam: (Não faz assim não, Tereza). Então fui improvisando, meio que aleatoriamente, mas com algum sentido, e produzi esse texto que publiquei acima. Mas a brincadeira terminou ali. Não importa, pois, o que se giga, a resposta é sempre: (Não faz assim não, Tereza) e assim, todos participam.
Martinho da Vila, sambista renomado, que compôs mais de uma centena de músicas, escreveu canções para esse tipo de dança e é bastante utilizado em apresentações país afora.
SOBRE A TRADIÇÃO:
As danças típicas de Minas Gerais refletem a forte herança cultural, religiosa e sertaneja do estado, com destaque para o Congado (festas com tambores), a Catira (sapateados e palmas) e o Mineiro Pau(dança com bastões). Outras manifestações tradicionais incluem o Batuque de Viola, a Dança das Lavadeiras e o Ticumbi.
A Dança: É um folguedo popular de origem afro-brasileira, no qual os dançarinos batem bastões de madeira no ritmo da música, formando duplas que se alternam entre bater e defender.
O Contexto: O Mineiro Pau está ligado às tradições de folia de reis e Festas Juninas.
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