25 - UMA SAUDADE ANTECIPADA, O APITO DO TREM E O ADEUS
Fernando Mauro Ribeiro
25 de dez. de 2025
2 min de leitura
Em meio à dor, diante de tanta coisa boa que a Ceição fez, fica a saudade.
Quem vai apanhar o atabaque e dizer: vamos cantar?
Quem vai sentar-se ao meu lado, nas rodas de cantoria?
Quem vai dizer-me: ainda não cantamos “Naquela mesa”!
“O Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, canta-se só no fim.
“Não posso ficar, nem mais um minuto com você, sinto muito, amor, mas não pode ser.… se eu perder esse trem, que sai agora, às onze horas, só amanhã de manhã...
E ela partiu apressadamente, chegou ainda a tempo na Estação – eram 11h30m – acendeu um cigarro, olhou a fumaça a ziguezaguear, a locomotiva apitou, um leve aceno e o adeus definitivo.
Aqui, eu – nós - perdidos em pensamentos, recordações e lágrimas ao escrever essa linha do tempo.
Quem vai colher os frutos no quintal para distribuir com a família?
E os biscoitos de nata, os bolinhos de chuva, doces diversos, pudins e manjares que nos servia?
Ah, essa culinária, essa gastronomia, esse aroma que me invade as narinas: quibe, macarrão, bolinhos de carne, empadão, as saladas, o arroz com feijão e o amor, tempero essencial que acrescentava em cada prato, o gosto, o prazer de se estar na cozinha, o forno e fogão com os quais nos recebia.
Como controlar as emoções? Como driblar a saudade? Não sei! Mas, Deus sabe. Ele sabe de tudo. Ele cuida de tudo!
Ontem, a Primeira Missa pós morte. Hoje, novamente em busca desse abrigo, do conforto desse olhar amigo, D’aquele que é a Luz do meu caminho, a direção da minha vida.
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