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09 - DEZ ANOS APÓS ROMPIMENTO DA BARRAGEM DO FUNDÃO, EM MG.

  • Fernando Mauro Ribeiro
  • 9 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Dez anos após rompimento da barragem do Fundão, em Minas Gerais, quadrinista que vive com a família em Governador Valadares, revisita em livro o drama da cidade e do rio que a tragédia contaminou.

   No último dia 5, contabilizamos exatamente dez anos, na tarde de 5 de novembro de 2015, no Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana – MG, a barragem de Fundão da mineradora Samarco se rompeu. O desastre liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, formando uma onda de lama que destruiu completamente o vilarejo causando 19 mortes e centenas de desabrigados.

Além disso contaminou o Rio Doce percorrendo mais de 600Km até alcançar sua foz, em Linhares, no Espírito Santo. Foi, até então, a maior tragédia ambiental do Brasil, pois quatro anos depois, ocorreu desastre em Brumadinho, com quase 300 mortos.

   Uma das cidades mais afetadas com a tragédia de 2015, foi Governador Valadares, o maior centro urbano da Bacia do Rio Doce, com quase 300 mil habitantes e dependência total do rio para o abastecimento de água. Quando a onda de lama e dejetos chegou lá, uma semana depois o fornecimento precisou ser interrompido por vários dias, já que não havia outra fonte alternativa em escala suficiente.

     

DIÁRIO DA TRAGÉDIA

     Natural de Ipatinga, também em Minas Gerais, mas cidadão de Governador Valadares, João Marcos Mendonça acaba de lançar Doce Amargo (Nemo) um relato em quadrinhos daquele período extremamente difícil que ele e a família viveram. João Marcos diz que a ideia da HQ chegou pouco depois da chegada da lama à cidade.

À medida que começou a perceber o que vivia, começou a registrar tudo em um diário, já pensado em um roteiro para quadrinhos.

     O Rio é a única fonte de abastecimento de água da cidade e foi contaminado pela lama de rejeitos. Na época, Governador Valadares tinha 280 mil habitantes e passou dez dias sem água – explica o quadrinhista que também é professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vale do Rio Doce.

     - As doações que chegavam não davam conta da demanda, e nas filas de doações houve saques. Brigas, violências. O Exército precisou atuar para tentar organizar o caos. A cidade entrou em colapso. Quando a água começou a ser captada dório, a população tinha medo de usar e consumir.

   Roteirista há quase 20 anos das revistinhas da Turma da Mônica e consagrado por quadrinhos infantis autorais – com personagens próprios como Mendelévio e Telúrica (homenagem a elementos da tabela periódica) – João Marcos admite que não foi fácil desenvolver uma história com um tom mais sóbrio.

      

QUADRINHOS INFANTÍS

    João Marcos Mendonça tem longa trajetória voltada aos livros para crianças e praticamente precisou reaprender a desenhar ao produzir uma HQ de não ficção. Sempre trabalhei para o público infantil e o meu traço reflete as características desse tipo de trabalho: figuras, cenários desproporcionais e exagerados, a essência do cartum – conta o autor, autor premiado com HQ Mix por suas pesquisas sobre o uso de quadrinhos na educação – Minha intenção era que outra pessoa desenhasse, mas meu editor me convenceu de que a história ganharia mais força com meu traço, pois era muito pessoal. Estão é como se eu estivesse reaprendendo a desenhar. Quase desisti no início, mas gosteis das soluções que encontrei no processo.


QUALIDADE DA ÁGUA HOJE

   Sua intenção foi mostrar a dimensão humana da tragédia, principalmente, os pequenos acontecimentos do cotidiano – a vida ordinária e as consequências e as várias consequências que passam despercebidas numa catástrofe dessa dimensão. E, dez anos depois, surge a dúvida de como está o rio que, de doce virou amargo no título do livro.

     Essa é a pergunta que todo mundo da cidade faz. Hoje temos uma visão oficial de que tudo está lindo e o rio recuperado. Do outro lado, a versão dos atingidos e dos especialistas que dizem que as coisas não são bem assim.

De minha parte tenho muita dúvida quanto à qualidade da água captada no rio. Passados dez anos até hoje usamos água mineral para consumo e preparo dos alimentos.

Télio Navega – Segundo caderno de O Globo

 

 

 

 
 
 

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