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06 - UM MILHÃO DE BALAS: FRUTO DA FLEXIBILIZAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE ARMAS ADOTADAS POR BOLSONARO

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

CACs compram dois terços da munição para fuzil no país, mesmo após mudanças no governo Lula.

  Não tenho números mais atualizados, mas baseado em artigo de O Globo, só nos primeiros seis meses de 2025, os chamados CACs (categoria que engloba caçadores, atiradores e colecionadores) adquiriram quase um milhão de munições para fuzil, respondendo por dois terços desse mercado no país, no período.

O cenário de concentração das balas para armamento de guerra nas mãos de civis, ocorre mesmo após mudanças na regra do setor perpetradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, no qual buscor reverter uma série de flexibilizações de compra e venda adotadas pelo seu antecessor Jair Bolsonaro.

   Os dados inéditos foram levantados pelo Instituto Sou da Paz junto ao Exército Brasileiro, por meio da Lei de Acesso à informação LAI e obtidos com exclusividade pelo Globo. De janeiro a junho de 2025, foi vendido no Brasil, poucomais de 1,4 milhão de munições de fuzil, 67% delas para os CACs – um total de 948,5 mil unidades numa média de 5.270 por dia, ou praticamente quatro balas por minuto.

 As estatísticas incluem somente a munição de calibres especialmente preocupantes, para fuzis 223 REM, 5.56x45mm, 7.62x51mm e 308 win, muito usada pelo crime organizado em confronto com as forças de segurança.

No recorte deste tipo de armamento, são, com sobras, os modelos mais comercializados e também mais apreendidos pelas autoridades.

   Quando a gente faz fotografia de 2025, vemos que o volume de entrada de munição de fuzil, compradas no mercado civil ainda é muito alto. E num contexto no qual a fiscalização dessa munição, a rastreabilidade ainda é muito precária – ressalta Bruno Langeani, consultor sénior do Sou da Paz.


DOIS MILHÕES DE MUNIÇÕES ADQUIRIDOS IRREGULARMENTE

O controle sobre a compra de munições no mercado civil tem histórico de deficiências no país. Um relatório do TCU Tribunal de Contas da União, identificou no ano passado, aproximadamente, dois milhões de munições adquiridos irregularmente, com uso de documentos falsos, registros falsos e até CPF de menores ou de pessoas mortas.

  Um caso emblemático no Maranhã, identificou o uso de laranjas que pode ter resultad no desvio de até 60 toneladas de munição no mercado ilegal de Norte e Nordeste no país.

O Exército só passou a usar um sistema desenvolvido de forma independente da indústria para realizar o controle das vendas no varejo de munições em 2025.

  Considerando todos os tipos de munições, doram 104 milhões de unidades vendidas no Brasil no primeiro semestre.

Neste caso, os CACs respondem por um percentual menor, embora ainda assim tenham adquirido mais da metade das balas (54 milhões). Outras 42 milhões foram comercializadas para a revenda em lojas de material bélico.


LIBERAÇÃO E APREENSÕES

 Em janeiro de 2023, em seu primeiro ato de governo, Lula editou um decreto para suspender novos registros para CACs, clubes de tiro e lojas de armas. Em julho daquele ano, novo decreto limitou a quantidade de armas e munições para esse público e buscou controlar a ação dos estabelecimentos. Os atos do atual governo, contudo, não exigiram a entrega de fuzis por parte dos CACS.

  Até 2019, com a chegada de Bolsonaro no Planalto, CACs sequer podiam ter acesso a fuzis e apenas as Forças Armadas tinha permissão para operar esse armamento de grosso calibre.

O aumento da circulação dessas armas e desse tipo de munição facilitou a obtenção também pelo crime organizado, sustentam os especialistas.

  As apreensões policiais recentes reforçam essa dinâmica. Em novembro do ano passado, seguindo uma informação de inteligência da Polícia Civil de Indaiatuba SP, abordaram dois indivíduos que iam comercializar armas de fogo para interessados que estavam em um taxi.

O exemplar negociado, um fuzil da marca Taurus, modelo T4, calibre 556, com numeração raspada, seria adquirido por 45 mil e depois vendido por 60 mil. O responsável pela operação Wladimir Rogério de Souza, alegou ser CAC. Mais tarde, na casa dele a polícia encontrou mais armas e munições.

  Em março, a Polícia Civil do Rio prendeu um CAC suspeito de desviar armas para o crime organizado. Ele movimentou mais 600 mil na compra de material bélico ao longo de cinco anos.

   Outro caso ganhou destaque por causa da quantidade de armamento envolvido. Em janeiro de 2022, a polícia de Goiânia prendeu Vitor Furtado Resbolau Lopes, conhecido como Bala 40, que usava aplicativos para vender armas, inclusive para o Comando Vermelho.

Na casa de Lopes, no Rio, foi encontrado um verdadeiro arsenal: 26 fuzis, 21 pistolas, dois revólveres, três carabinas, uma espingarda e um rifle além de farta munição.

 

A AÇÃO MAIS LETAL DA HISTÓRIA  BRASILEIRA, COM 122 MORTOS,

Grupos como o Comando Vermelho e o PCC utilizam  esse tipo de munição no enfrentamento a grandes operações policiais, como aconteceu em outubro, nos Compléxos da Penha e Alemão, no Rio. A ação mais letal da história  brasileira que resultou em 122 mortes, sendo cinco agentes de segurança.

  A gente quase não teve um debate sobre o que permite uma facção sustentar 18 horas de tiroteio contra a polícia. Para isso, existiu um fornecimento de munição muito brutal e muto sólido. Se o governo consegue sufocar esse fornecimento, a polícia vai fazer a operação com mais facilidade, porque essas facções perdem o poder de resistir à atuação policial, do Estado.

Aline Ribeiro – amoraes@globo.com.br São Paulo

 
 
 

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